quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Elephant Gun, Beirut - (Capitu e Dom Casmurro)

Esta microsérie foi um algo impar...

Falou-me secretamente nos reconditos mais ocultos de minh'alma. (Parafraseando Machado)

Sem mais.

If I was young, I'd flee this town

I'd bury my dreams underground

As did I, we drink to die, we drink tonight

Far from home, elephant gun

Let's take them down one by one

We'll lay it down, it's not been found, it's not around

Let the seasons begin - it rolls right on

Let the seasons begin - take the big king down

Let the seasons begin - it rolls right on

Let the seasons begin - take the big king down

And it rips through the silence of our camp at night

And it rips through the night

And it rips through the silence of our camp at night

And it rips through the silence, all that is left is all that i hide

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Habita in ueritas



Quem uidisti, homines?
Dicite annuntiate mihi.
Dicite, quidnam uidisti in alii terrae?


Ego uideo stultus homine
Filis mentiris.

Nunc teneris undique;
Omnia tua consilia sunt nobis clariora luce.
Quamobrem discede.
HNS & MTCícero (8-11-63 a.C)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Poema para Dezembro


O ultimo elo, anelo
Renovo é Dezembro
Em minha via ele sempre encerra
E outra nova via me leva sedutor

Montado na destreza de um Capricórnio
Me entrega a Janeiro
Meu Dezembro chegou ao início desta noite
Após as lamentações das filhas de Cervantes

Segurou firme em minhas mãos
E não tive mais medo
Juntos, levantamos incenso ao Tempo que esvanecia.

Disse-me que não voltasse o olhar para trás.
Os tempos que se vão não admitem que os mirem
“Janus, vestido em deus romano, te aguarda em seus frontões.”



HNS, 2 de Dezembro
Na FoTo IANUS (Janus), uMa das 56 LuAs de SaTurno

Poema em Dezembro


Procuro uma alegria
uma mala vazia
do final de ano
e eis que tenho na mão
- flor do cotidiano -
é vôo de um pássaro
é uma canção.

Drummond - (Dezembro de 1968)

sábado, 15 de novembro de 2008

O Olho de Deus


A NASA divulgou recentemente imagens da nebulosa Helix,
também chamada de O Olho de Deus.
A imagem foi captada pelo telescópio espacial Hubble.
As nebulosas são nuvens gigantescas de poeira e gases.
Helix fica a 650 anos-luz da Terra.
É uma das mais próximas do nosso planeta.
Impressiona porque sua forma, semelhante a um olho,
parece lembrar que o tempo todo Deus nos vê.
A imagem é um deleite, ou não, para crentes, ateus e agnósticos.
Fiat lux

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Zera a Reza




Vela leva a seta tesa
Rema na maré
Rima mira a terça certa
E zera a reza

Zera a reza, meu amor
Canta o pagode do nosso viver
Que a gente pode entre dor e prazer
Pagar pra ver o que pode
E o que não pode ser
A pureza desse amor
Espalha espelhos pelo carnaval
E cada cara e corpo é desigual
Sabe o que é bom e o que é mau
Chão é céu
E é seu e meu
E eu sou quem não morre nunca

Vela leva a seta tesa
Rema na maré
Rima mira a terça certa
E zera a reza
Caetano Veloso

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

De Drummond a Mário de Andrade


No chão me deito à maneira dos desesperados.

(...)
Rastejando entre cacos me aproximo.
Não quero, mas preciso tocar pele de homem,
Avaliar o frio, ver a cor, ver o silêncio,
Conhecer um novo amigo e nele me derramar.

Porque é outro amigo. A explosiva descoberta
Ainda me atordoa. Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo.
Furo as paredes e vejo. Através do mar sangüíneo vejo.
Minucioso, implacável, sereno, pulverizado
E outro amigo. São outros dentes. Outro sorriso.
Outra palavra que goteja. (...)




(Grazy, poetisa do Mar Absoluto, me inspirou este poema de Drummond que ele escreveu a Mario de Andrade. Carlos e Mário eram amigos e trocaram intensa correspondência.)

Aos que me lêem em segredo confiram o blog dela nos meus links.

domingo, 2 de novembro de 2008


Para trás olhos dissimulados
Nenhum passo avante mentira
Silencia-te vozes aveludadas
O que te resta é a crua consciência de si

Conjuro amores perfeitos
Os versos do poeta
Lágrimas dos amantes
O bojo de um velho pinho e sons de bandoneón

Hão de cair sobre ti
Cada letra, palavra, deste soneto
A madrugada sempre será tua companheira

Pois que teu leito te rejeitará
Então tomarás as ruas vazias
Em um banco qualquer, sorverás o teu pranto.




HNS, Brasília.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Vinícius I

"Quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores?"


Vinícius II


domingo, 26 de outubro de 2008


Para isso fomos feitos:

Para lembrar e ser lembrados

Para chorar e fazer chorar

Para enterrar os nossos mortos —

Por isso temos braços longos para os adeuses

Mãos para colher o que foi dado

Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer

Uma estrela a se apagar na treva

Um caminho entre dois túmulos —

Por isso precisamos velar

Falar baixo, pisar leve, ver

A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:

Uma canção sobre um berço

Um verso, talvez de amor

Uma prece por quem se vai —

Mas que essa hora não esqueça

E por ela os nossos corações

Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre

Para a participação da poesia

Para ver a face da morte —

De repente nunca mais esperaremos...

Hoje a noite é jovem; da morte, apenas

Nascemos, imensamente.


Vinicius de Moraes, poeta na linha direta de Xangô.
Rio de Janeiro, 1960

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Ser exatamente o que sou
Sem ir para a direita e
Nem muito para a esquerda
Sem a máscara imposta e posta
Mas ser sem moldura
Ser água pura
Ser o que se é

Ser sem mentiras
Ser sem retalhos
Porque a mim enfada os mosáicos
Gosto das minhas paredes nuas
Me acalma o reto tom
E as retas longas

Quero a conversa direta, sem parábolas
- como é feia uma parábola -
Os seus altos e baixos traçam a mentira
Me ponho longe dela
- com que violência -
Minhas retas são dardos e flechas

Ser assim
Serenamente
Descubro que
Sou eu
Eu Sou


HNS, Brasília.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Um momento mais e retornarei.
Percalsos acadêmicos.
Hud
...
..
.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

"A descoberta é uma fraude, porque na maioria das vezes a

gente já sabe tudo. Só não quer atuar."


Zuleni Almeida, minha amiga.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Dans Mon Coeur

Le premier qui m'est venu
Avait fait tous les fleuristes
Dans ses mains des oiseaux rouges, des bijoux, des améthystes
Dans ses yeux tant de mirages
Tant de plages et de promesses
Des violons chantaient dans sa voix
Il m'appelait sa princesse
Il me prit comme on s'éfface
Et mon cœur en fut touché
Mais avant qu'il ne me lasse
J'ai eu peur, je l'ai chassé

Le second qui m'est venu
Avait fait tous les tripots
Dans ses mains des cicatrices qui m'égratignaient la peau
Dans ses yeux tant de ravages
Tant d'orages et de banquises
Des glaçons claquaient dans sa voix
Il m'appelait sa soumise
Il me prit comme un rapace
Et mon cœur en fut blessé
Mais avant qu'il ne me glace
J'ai eu peur, je l'ai chassé

Le troisième m'est venu
Sans un mot, sans s'annoncer
Dans ses mains y' avait rien d'autre qu'un parfum de vent d'été
Dans ses yeux autant de flammes
Qu'en un siècle d'incendies
Il ne m'appelle que femme
Et c'est femme que je suis
Avant que je ne le chasse
Comme un chat, comme un voleur
Il a pris toute la place
Et s'est caché dans mon cœur


Chico Buarque por Bia Krieger

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Este Inferno de Amar



Este inferno de amar – como eu amo!

Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?

Esta chama que alenta e consome,

Que é vida – e que a vida destrói.

Como é que se veio atear,

Quando – ai se há-de ela apagar?


Eu não sei, não me lembra: o passado,

A outra vida que dantes vivi

Era um sonho talvez… foi um sonho.

Em que a paz tão serena a dormi!

Oh! Que doce era aquele olhar…

Quem me veio, ai de mim! Despertar?

Só me lembra que um dia formoso

Eu passei… Dava o Sol tanta luz!

E os meus olhos que vagos giravam,

Em seus olhos ardentes os pus.

Que fez ela? Eu que fiz? Não o sei;

Mas nessa hora a viver comecei…


Almeida Garrett
Poeta português
(1799 - 1854)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008


Escreverei ainda uma última carta.
Nela apagarei os íntimos tições deste fogo
Minha pena será forte e impetuosa
Como o corcel em meu espírito.

Nele parto para o seu fim.
Ainda que tu não queiras
Te precipitarei dentro de mim e então partirei.

Te prestarei uma última libação
Queimarei as minhas cartas junto ao teu nome

Esta pronto o corcel não nos demoremos.

HNS

quinta-feira, 7 de agosto de 2008


A montanha russa começou
O medo constante vai ao meu lado

Aos leitores desavizados


Autopsicografia


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda Gira,
A entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.



Fernando Nogueira Pessoa

terça-feira, 5 de agosto de 2008
























Que há nessas brumas densas que vejo?
Nimbus que vagarosamente se aproximam
Clarões e relampagos
Torrentes e tormentas
Silêncio

Onde está o delator?
O olhar dissimulado
A voz enganadora
As correspondências incertas


Oh, dissipe-se a mentira
Triunfe o dia claro
Da fraternidade


HN

quinta-feira, 31 de julho de 2008


De nanquim são as asas deste anjo

Que se eleva das laudas do meu livro

Ele cruza o céu de minh'alma

Com sua trombeta acorda minhas auroras

Ao toque de sua lira, os dentes-de-leão

Se espalham por este chão





H.N.S

A mim é impossível escrever
Sem me comprometer com a letra
Perdoe-me os poetas, por ofício fingidores
Este é o meu vício

Não consigo fingir ser dor
É como um clichê
Todavia confesso ter-me ausentado da vida
Neste palco de sentimentos alheios e meus
Fico a suspirar por detrás das cortinas

Um pierrot me vai bem
Quero entrar nesta marchinha
Carregar meu amor aos ombros
E no fim da noite
Libado de vinho doce
Adormecer em teu ventre

Ai que a poesia me chega nos últimos versos
E a pena escorre solta entre os dedos e o papel
Ali, sós e unos o mundo estar a morrer
Saber do toque e dos perfumes
Sentir o afago e o espasmo

Tudo é tão madrugada amor
Hum, o som deste violão
Esta voz de boemia
Estas luzes de cabaré
Esta areia e espuma nos meus pés



H.N.S

terça-feira, 29 de julho de 2008


Amor é bicho instruído
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.
Drummond

quarta-feira, 23 de julho de 2008

segunda-feira, 14 de julho de 2008



A montanha é ingreme...

mas meu coração é de ouro,

minha vontade é revestida de madeira nobre.


Meus antepassados são o Carvalho e a Nogueira.


Os ventos são furiosos,

mas nas costas trago asas de Serafins,

nas minhas mãos a Rosa dos Ventos desabrocha ao fragor de minhas asas.


Meu estrondo volta o Mar e eclipsa a Lua.





HNS



A vida não começa quando se nasce, começa quando se ama.


Pablo Neruda

domingo, 18 de maio de 2008

A alienação veste marrom

A alienação veste marrom e vagabunda encapuzada
Com um rumo bem certo ela se espalha com seus
Comparsas em nossas praças.
Com seus ares exóticos atraem nossa atenção
Nossa mórbida curiosidade pelo bizarro.

Aí então lançam seus trapos marrons sobre a nossa consciência
Afim de lameá-la deles mesmos.
Tomemos de nossos cutelos, estraçalhemos estes trapos.
O que carecemos é de uma cutelaria no centro da praça.
Porque ninguém pensou nisto antes?

Não nos intimidemos antes estes sequazes.

Um asno vestido de marrom,
Relinchando entrou pelos umbrais da cidade.
Feno encontrou no comércio perdido cravado ao redor do templo.
Ali se fartou e dali partiu em busca da única coisa
Capaz de saciar a sua fome burresca.
De comércio em comércio o asno vai.

Enquanto isso nas campinas o matagal vai crescendo
Nele, como num terreno baldio, a alienação se esconde e se reproduz.
Lá, Narcíseo está, se contemplando no espelho fosco da fossa da ignorância.
(A única coisa que Narcíseo contempla verdadeiramente é a si mesmo)
De lá ele distribui os trapos com os quais a alienação se veste.
Precisamos de uma cutelaria. Eu não uso capuz.
H.N

domingo, 4 de maio de 2008


Quid potens tangere?
Quid facit nascere?

O Tempo que se completa
Determina os caminhos
Confunde os corações
Enterra o que era
Quimera
...
..
.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Respeito, por Sir Charles Spencer Chaplin


Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é... Respeito.


domingo, 27 de abril de 2008


Algumas imagens falam mais que algumas poucas ou muitas palavras...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

A FAVOR DA OCUPAÇÃO DA REITORIA DA UnB.

OCUPA E RESISTE!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Por H.N.

Não mais quero riscar a folha
Deixo a pena cair de minha mão
E que o nanquim escorra pelo chão
Como o sangue de uma oferenda

Não deixarei em registro para estas bestas
Os reflexos e sentimentos de meu espírito
Quem de vós poderia ver minha letra?

Anseio um outro vínculo
Sinto a noite do esquecimento que vem

Deito-me sobre a relva, Ícaro sobe aos céus
Enquanto os corpos se retratam com o pincel, as almas se pintam com a pena.

Antônio Vieira
A ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel.

Machado de Assis

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Nachamu, nachamu

Nachamu, nachamu ami
dabru al lev yerushalayim
vekiru eleha
ki mala tsevaa ki nirtsa avona ki lakcha kichlaym bechol
chatotecha
kol koré bamidbar
panu dérech Adonai
yashru baarava
messilah IEIoheinu

Isaías 40, 1-3

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Y hoy rio si tú ries, y canto si tú cantas;
y si tú duermes, duermo como en perro a tus plantas.
Fuera de mi, la lluvia; dentro de mi, el clamor
cavernoso y creciente de un salmista;
mi conciencia, mojada por el hisopo, es un
ciprés que en una huerta conventual se contrista.

Folhas Caídas - Almeida Garrett

Deixai-o passar, gente do mundo.
Ele não entende bem disso, e vós não entendeis nada dele.
Deixai-o passar, porque ele vai onde vós não ides.
Vai, porque é espírito, e vós sois matéria.
A morte não passa do corpo, que é tudo em vós,
e nada ou quase nada no poeta.