quinta-feira, 31 de julho de 2008


A mim é impossível escrever
Sem me comprometer com a letra
Perdoe-me os poetas, por ofício fingidores
Este é o meu vício

Não consigo fingir ser dor
É como um clichê
Todavia confesso ter-me ausentado da vida
Neste palco de sentimentos alheios e meus
Fico a suspirar por detrás das cortinas

Um pierrot me vai bem
Quero entrar nesta marchinha
Carregar meu amor aos ombros
E no fim da noite
Libado de vinho doce
Adormecer em teu ventre

Ai que a poesia me chega nos últimos versos
E a pena escorre solta entre os dedos e o papel
Ali, sós e unos o mundo estar a morrer
Saber do toque e dos perfumes
Sentir o afago e o espasmo

Tudo é tão madrugada amor
Hum, o som deste violão
Esta voz de boemia
Estas luzes de cabaré
Esta areia e espuma nos meus pés



H.N.S

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