sexta-feira, 17 de julho de 2009

Fadista


Onde nasce minhas canções

Onde nasce minha poesia

Lá nasce eu

Lá é mistério meu, tom meu

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Para onde voltar?

Sinto-me parte de um acorde

E este acorde, o sinto diluir

Me faz querer tornar à morada interior

São os mistérios de lá que me fazem eterno

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Minha vida escorre nestas letras

Cada palavra escrita

Apaga-se em minha memória

E o que me lê por isso

Me toma e deixo de pertencer-me

Onde me levará o fim desse verso?

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O vento da profunda noite

Já sopra em minha janela

O silencio desperta o meu coração

Ouço a Musa dos Fados antigos

Como um discípulo devoto

Sento-me aos seus pés e tomo minha craviola

Ela me ensinará canção e dor.

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Hudson Nogueira

Brasília, 13 de julho de 2009


Versos a Francisco

Francisco tornou-se amigo daquele judeu

Por sendas desconhecidas e temidas o seguiu

Desde então a alegria dos amantes está em seu canto

Seus pés correm como os da sulamita dos Cantares:

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Que amor será como o teu Francisco

O que consome esse fogo aí dentro

Das sandálias, te desfaz

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O amor vestido num burel e corda dura

Que implacável te fere o lado

Adornado em asas de serafins

Deixa o mundo em ânsia

Do mesmo amor ser ferido

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Enquanto o amor não vem

Fica-se a desfalecer

Como a mulher nas dores de um parto

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Oh Francisco quisera suspirar

O incenso do teu amor amado

Que o fogo de dentro faz subir

E impregna cada pedra de tuas paredes

Mas se não posso, pisa com teus pés nus

As estradas dos peregrinos

Brinca conosco a ciranda

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HNS

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo

Eu quero dizer
Agora, o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo

Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator

É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante

Eu vou lhe dizer
Aquilo tudo que eu lhe disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo