quinta-feira, 31 de julho de 2008


De nanquim são as asas deste anjo

Que se eleva das laudas do meu livro

Ele cruza o céu de minh'alma

Com sua trombeta acorda minhas auroras

Ao toque de sua lira, os dentes-de-leão

Se espalham por este chão





H.N.S

A mim é impossível escrever
Sem me comprometer com a letra
Perdoe-me os poetas, por ofício fingidores
Este é o meu vício

Não consigo fingir ser dor
É como um clichê
Todavia confesso ter-me ausentado da vida
Neste palco de sentimentos alheios e meus
Fico a suspirar por detrás das cortinas

Um pierrot me vai bem
Quero entrar nesta marchinha
Carregar meu amor aos ombros
E no fim da noite
Libado de vinho doce
Adormecer em teu ventre

Ai que a poesia me chega nos últimos versos
E a pena escorre solta entre os dedos e o papel
Ali, sós e unos o mundo estar a morrer
Saber do toque e dos perfumes
Sentir o afago e o espasmo

Tudo é tão madrugada amor
Hum, o som deste violão
Esta voz de boemia
Estas luzes de cabaré
Esta areia e espuma nos meus pés



H.N.S

terça-feira, 29 de julho de 2008


Amor é bicho instruído
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.
Drummond

quarta-feira, 23 de julho de 2008

segunda-feira, 14 de julho de 2008



A montanha é ingreme...

mas meu coração é de ouro,

minha vontade é revestida de madeira nobre.


Meus antepassados são o Carvalho e a Nogueira.


Os ventos são furiosos,

mas nas costas trago asas de Serafins,

nas minhas mãos a Rosa dos Ventos desabrocha ao fragor de minhas asas.


Meu estrondo volta o Mar e eclipsa a Lua.





HNS



A vida não começa quando se nasce, começa quando se ama.


Pablo Neruda