quarta-feira, 27 de agosto de 2008

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Dans Mon Coeur

Le premier qui m'est venu
Avait fait tous les fleuristes
Dans ses mains des oiseaux rouges, des bijoux, des améthystes
Dans ses yeux tant de mirages
Tant de plages et de promesses
Des violons chantaient dans sa voix
Il m'appelait sa princesse
Il me prit comme on s'éfface
Et mon cœur en fut touché
Mais avant qu'il ne me lasse
J'ai eu peur, je l'ai chassé

Le second qui m'est venu
Avait fait tous les tripots
Dans ses mains des cicatrices qui m'égratignaient la peau
Dans ses yeux tant de ravages
Tant d'orages et de banquises
Des glaçons claquaient dans sa voix
Il m'appelait sa soumise
Il me prit comme un rapace
Et mon cœur en fut blessé
Mais avant qu'il ne me glace
J'ai eu peur, je l'ai chassé

Le troisième m'est venu
Sans un mot, sans s'annoncer
Dans ses mains y' avait rien d'autre qu'un parfum de vent d'été
Dans ses yeux autant de flammes
Qu'en un siècle d'incendies
Il ne m'appelle que femme
Et c'est femme que je suis
Avant que je ne le chasse
Comme un chat, comme un voleur
Il a pris toute la place
Et s'est caché dans mon cœur


Chico Buarque por Bia Krieger

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Este Inferno de Amar



Este inferno de amar – como eu amo!

Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?

Esta chama que alenta e consome,

Que é vida – e que a vida destrói.

Como é que se veio atear,

Quando – ai se há-de ela apagar?


Eu não sei, não me lembra: o passado,

A outra vida que dantes vivi

Era um sonho talvez… foi um sonho.

Em que a paz tão serena a dormi!

Oh! Que doce era aquele olhar…

Quem me veio, ai de mim! Despertar?

Só me lembra que um dia formoso

Eu passei… Dava o Sol tanta luz!

E os meus olhos que vagos giravam,

Em seus olhos ardentes os pus.

Que fez ela? Eu que fiz? Não o sei;

Mas nessa hora a viver comecei…


Almeida Garrett
Poeta português
(1799 - 1854)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008


Escreverei ainda uma última carta.
Nela apagarei os íntimos tições deste fogo
Minha pena será forte e impetuosa
Como o corcel em meu espírito.

Nele parto para o seu fim.
Ainda que tu não queiras
Te precipitarei dentro de mim e então partirei.

Te prestarei uma última libação
Queimarei as minhas cartas junto ao teu nome

Esta pronto o corcel não nos demoremos.

HNS

quinta-feira, 7 de agosto de 2008


A montanha russa começou
O medo constante vai ao meu lado

Aos leitores desavizados


Autopsicografia


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda Gira,
A entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.



Fernando Nogueira Pessoa

terça-feira, 5 de agosto de 2008
























Que há nessas brumas densas que vejo?
Nimbus que vagarosamente se aproximam
Clarões e relampagos
Torrentes e tormentas
Silêncio

Onde está o delator?
O olhar dissimulado
A voz enganadora
As correspondências incertas


Oh, dissipe-se a mentira
Triunfe o dia claro
Da fraternidade


HN