quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Este Inferno de Amar



Este inferno de amar – como eu amo!

Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?

Esta chama que alenta e consome,

Que é vida – e que a vida destrói.

Como é que se veio atear,

Quando – ai se há-de ela apagar?


Eu não sei, não me lembra: o passado,

A outra vida que dantes vivi

Era um sonho talvez… foi um sonho.

Em que a paz tão serena a dormi!

Oh! Que doce era aquele olhar…

Quem me veio, ai de mim! Despertar?

Só me lembra que um dia formoso

Eu passei… Dava o Sol tanta luz!

E os meus olhos que vagos giravam,

Em seus olhos ardentes os pus.

Que fez ela? Eu que fiz? Não o sei;

Mas nessa hora a viver comecei…


Almeida Garrett
Poeta português
(1799 - 1854)

Um comentário:

marcrixxx disse...

Espetacular dedução,

eu também cansei de amar; quando existe alguém e nos leva ao inferno , nos queimando e deixando à seca, faz da vida um estado permanente de busca. Já cansado estou e cansado ficarei se não amar, logo amo a inquietude, a sensatez e o ardente clima que me cansa, vício? Espero que não. Amor.