quinta-feira, 6 de novembro de 2008

De Drummond a Mário de Andrade


No chão me deito à maneira dos desesperados.

(...)
Rastejando entre cacos me aproximo.
Não quero, mas preciso tocar pele de homem,
Avaliar o frio, ver a cor, ver o silêncio,
Conhecer um novo amigo e nele me derramar.

Porque é outro amigo. A explosiva descoberta
Ainda me atordoa. Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo.
Furo as paredes e vejo. Através do mar sangüíneo vejo.
Minucioso, implacável, sereno, pulverizado
E outro amigo. São outros dentes. Outro sorriso.
Outra palavra que goteja. (...)




(Grazy, poetisa do Mar Absoluto, me inspirou este poema de Drummond que ele escreveu a Mario de Andrade. Carlos e Mário eram amigos e trocaram intensa correspondência.)

Aos que me lêem em segredo confiram o blog dela nos meus links.

2 comentários:

marcrixxx disse...

É um tal de querer dizer sem ofender à lágrima que marca o rosto de que é precioso. Só é capaz de assim o fazer que têm a ousadia de declarar admirado pelo o outro... mas faz um frio aqui... logo não busco o outro p/ esquentar a minha solidão, uma vez que o calor se apresenta ardemente na amizade, que compreende sabe o que eu digo.
Gracias!! Marco.

Grazi disse...

Menino dos olhos de mar,

Demorei a comentar porque as palavras faltaram. Elas sempre me fogem quando quero dizer algo muito verdadeiro e profundo, algo que seria melhor dito com um olhar ou um abraço carinhoso. E pra isso chegará a vez. Por hora, caminhamos por aqui, percorrendo letras e afetos com a alma...

Bjão